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ESTUDO SUGERE CHIP E VASECTOMIA EM QUATIS

6 de novembro de 2010 1 comentário

Mais uma vez os Quatis da cidade de Águas de São Pedro viram notícia. Segue abaixo a reprodução da matéria do Jornal de Piracicaba, Edição Semanal de Sexta-feira, 5 de novembro de 2010. Créditos: Renan Bortoletto (Jornal de Piracicaba).

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“LEVANTAMENTO DE PROFESSORES DA UNESP APONTA A NECESSIDADE DE CONTROLE DA PROCRIAÇÃO DOS QUATIS QUE VIVEM NO PARQUE DR. OCTÁVIO DE MOURA ANDRADE.

Estudo realizado por professores do campus Botucatu da Unesp (Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho) apontou a necessidade de controle da procriação dos quatis que vivem no parque Dr. Octávio de Moura Andrade. Cerca de 40 animais habitam o local. Apesar do baixo número, especialistas debateram possíveis doenças que podem ser transmitidas aos humanos e invasões em zonas urbanas em busca de alimento. Além da chipagem, os professores cogitam vasectomizar machos líderes. Uma reunião deverá ser marcada para definir quando as ações serão iniciadas. Um folheto de conscientização deverá ser distribuído em escolas e entidades do muicípio.

Encontro destinado a discutir o assunto aconteceu na semana passada na estância e contou com a presença de representantes regionais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), do secretário de Meio Ambiente de Águas de São Pedro, Raymundo Lázaro Profício, e do secretário de Saúde, Marcos Casarini.

O estudo baseou-se em filmagens feitas pelos professores e coleta de dados dos quatis. Em algumas situações foi detectado que os quatis têm invadido casas e se alimentado de rações e comidas dadas a cachorros e gatos. As duas espécies de quatis, porém, são consideradas carnívoras. A inspeção também apontou que os animais encontram-se dispersos em vários locais de Águas, nos bairros Canta Sapo, Jardim Jerubiaçaba e Mini-Horto.

Para o professor Carlos Roberto Teixeira, isso gera uma problemática de convívio entres os animais. “Cada um tem o seu habitat, e muitas vezes aquilo que o quati está comendo não é adequado para a saúde dele”, afirmou. Outra solução apontada no estudo é o que os especialistas chamam de translocação, limitando a área dos quatis dentro do parque. A captura dos animais e a chipagem seriam os primeiros passos.

“Depois montaríamos algumas jaulas espalhadas pelo bosque onde eles serão cevados com alimentos e não precisarão sair procurar comida nas casas ou nas ruas”, afirmou Teixeira. Cada jaula, com aproximadamente dois metros de largura por dois metros de altura, custaria aproximadamente R$ 2,2 mil.

O professor Marcos Vinícius, um dos responsáveis pelo Cempas (Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres), destacou que os gastos para cuidar dos quatis não é grande, e que a maior parte do material necessário viria da Unesp. “Só precisamos de uma sala para fazer os exames e contar com o apoio da Prefeitura do trabalho de conscientização da opinião pública”, argumentou.

Mesmo com a castração dos quatis, os professores afirmaram que a Unesp ficaria responsável por fazer um trabalho de monitoramente e acompanhar e evolução do grupo. O prefeito da cidade, Paulo Ronan (PSDB), também esteve presente na reunião e levantou uma questão polêmica: “o número de quatis teria diminuído depois que populares teriam começado a caçá-los para consumo””.

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A diminuição da população de Quatis também pode ser atribuída aos atropelamentos, principalmente na região da “Estrada Velha” que liga os municípios de Águas de São Pedro e São Pedro. Por inúmeras vezes constatei animais mortos no acostamento, teve vez que contei 3 indivíduos na mesma semana. Espero que estes bichinhos deixem de ser problema e tornem-se realmente um atrativo turístico.

ASSUNTOS RELACIONADOS AQUI NO BLOG:

Desequilíbrio Iminente

 

Um Abraço!

Cantidio B. Netto

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Desequilíbrio Iminente

15 de novembro de 2009 2 comentários

No último sábado, dia 14 de novembro de 2009, estava na casa de um amigo jogando conversa fora e ouvindo música, quando li uma matéria muito interessante no Caderno Especial do Jornal de Piracicaba, do dia 13 de Novembro, (versão on-line disponível do site do JP) intitulada “Oferta de Comida Aumenta População de Quatis”. Por sinal uma matéria muito bem escrita e de fácil compreensão. Aproveitando esse gancho, resolvi escrever sobre o assunto aqui no blog.

Quatis em Águas de São Pedro

População de Quatis no Parque Dr. Octávio de Moura Andrade. (Foto: Jornal de Piracicaba, Autor: R. Amaral

A palavra “Quati” que dá nome ao animal vem do vocabulário tupi-guarani que significa que “nariz pontudo”. É um mamífero da ordem Carnívora, família Procyonidae e gênero Nasua, parentes próximos do mão-pelada ou guaxinim. Alimenta-se de minhocas, insetos e frutas. Aprecia também ovos, legumes e especialmente lagartos.

O que antigamente eram apenas alguns indivíduos vivendo dentro do território do Parque Dr. Octávio de Moura Andrade (Bosque Municipal), hoje se transformou em uma Superpopulação de Quatis. É comum vê-los em bando de até cinqüenta animais. Expandiram seu território e hoje não se limitam apenas a área do Parque, podemos facilmente avistá-los em áreas urbanas revirando lixeiras, chegando ao ponto de invadir residências em busca de alimento.

Além da ausência de predadores naturais na área, o excesso de Quatis também pode ser explicado pelo aumento da oferta de alimento, principalmente através dos visitantes de fins de semana e de alguns munícipes que durante anos vêem alimentando esses animais.

Esse gesto tão inocente põe em risco dezenas de outras espécies, principalmente as aves, que são atacadas e tem seus ovos predados pelos Quatis em períodos em que a oferta de alimento fácil é reduzida. É necessário conscientizar os visitantes através de placas além de fazer campanhas educativas no sentido de não dar alimento aos animais, assim como não jogar lixo nas trilhas do Parque.

As outras espécies de animais atingidas pelos Quatis no desequilíbrio gerado pelo homem são importantes para a saúde do parque, principalmente no transporte de sementes e aumento da biodiversidade.

Cabe ressaltar que os quatis não são animais domesticáveis, são excelentes mordedores e podem com suas garras ferir algum visitante imprudente que esteja em contato direto com eles. Isso sem falar do risco de transmissão de doenças. Veja um exemplo abaixo:

Problemas do Desequilíbrio Ambiental em Áreas Urbanas

Capivaras

Capivaras (foto retirada da internet, autor desconhecido)

Vou citar um exemplo de grave problema causado pelo desequilíbrio ambiental em áreas próximas a áreas urbanas. O caso foi amplamente veiculado na imprensa na época (entre 2000 e 2004).

Entre os anos de 2003 e 2004 após concluir minha graduação, realizei parte de meu Estágio no Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, no Departamento de Saúde e Meio Ambiente. Havia ocorrido um surto de Febre Maculosa no campus da Unicamp. A Febre Maculosa é uma grave doença causada pelo Microorganismo Rickttesia, é transmitida pelo “Carrapato Estrela” que se hospeda em aves e animais silvestres como, por exemplo, a Capivara, um dos seus principais hospedeiros.

Carrapato Estrela

Carrapato Estrela

Diversos casos foram registrados, sendo alguns fatais. Imediatamente o surto da doença foi vinculado à superpopulação de capivaras que habitavam a lagoa próxima ao Campus. Havia um enorme temor dos trabalhadores que tinham que fazer a manutenção e limpeza da área e dos alunos que freqüentavam o campus. Uma forte campanha de conscientização foi feita alertando sobre os perigos da doença e seu contágio. Mais tarde o surto foi controlado. Até hoje o acesso ao local é restrito devido à dificuldade em se controlar a população de capivaras, um dos principais hospedeiros do carrapato estrela (vetor da Febre Maculosa). O campus da ESALQ em Piracicaba enfrentou o mesmo problema.

Não estou aqui fazendo terrorismo, estou apenas ilustrando um fato no sentido de conscientizar as pessoas que alimento fácil e em abundância pode originar um forte desequilíbrio ecológico. Uma vez que o número de indivíduos foge ao controle fica muito complicado de restabelecer o seu equilíbrio ambiental. O problema pode transpor as questões ambientais e se tornar um caso de Saúde Pública.

Também não estou crucificando os pobres bichinhos, afinal eles não tem culpa. Eles podem não ser racionais, mas cuidam melhor do planeta do que nós seres humanos. Precisamos ser mais racionais e assumir a responsabilidade pelas nossas atitudes.

Parabéns a jornalista Daniella Oliveira do Jornal de Piracicaba pela matéria.

Mais sobre a Febre Maculosa em Áreas Urbanas AQUI.

Um abraço a todos.